APLICAÇÃO EM INDÚSTRIAS
Introdução:
O objetivo básico de um processo industrial
é a transformação da matéria-prima
em produto. Assim fazendo, aumentamos seu valor comercial,
realizando o lucro, o qual é a finalidade básica
da empresa.
Apesar de o produto ser o alvo intencional do empreendimento,
podemos gerar outras substâncias, de origem
não-intencional - os subprodutos, que ainda
possuem algum valor comercial, ou seja, podem ser
vendidos e gerarem lucros e, ainda os resíduos
industriais, na maioria das vezes indesejáveis
e com recuperação custosa, causando
ônus para companhia.
Uma vez gerado o resíduo industrial, é
necessário dar-lhe um destino, pois não
deve ser acumulado indefinidamente em um determinado
local. A solução mais cômoda e
mais empregada é disseminar os resíduos
no meio ambiente, de qualquer maneira possível
(lançando-os na atmosfera, nas águas
ou no solo). Assim, quando as emissões residuárias
prejudicarem o uso posterior do ar, água ou
solo, fica caracterizada a poluição
ambiental, e a quantidade de poluente indesejável
lançada no meio ambiente é denominada
- carga poluidora.
Podemos exemplificar vários poluentes, tais
como: gases gerados por queima da maioria dos materiais
combustíveis; ruídos (emissão
de energia sonora); águas de lavagem de produtos,
equipamentos e pisos; as águas de processos,
tendo substâncias indesejáveis em solução
ou em suspensão; águas de refrigeração
(irradiam energia térmica); poluentes depositados
no solo pela água, ar ou qualquer outro meio
- tais como lixo, lamas residuárias, óleos
minerais ou vegetais, aparas, poeiras, espécies
impermeabilizantes dos solos agrícolas, substâncias
prejudiciais ao desenvolvimento das culturas (complexos
de boro, derivados de flúor, compostos de arsênico)
e outros.
Além da possibilidade de contaminação
ambiental por empresas, não podemos esquecer
a poluição gerada por dejetos de seres
vivos (excrementos de seres humanos e animais, por
exemplo).
Vários são os processos que tendem
a minimizar os efeitos causados pelas cargas poluidoras,
mas apenas parte dos processos de tratamento cabe
nesta sinopse: os processos biológicos de estabilização
ou degradação dos materiais poluentes
acessíveis ao metabolismo dos seres vivos -
especialmente ao dos microorganismos.
Decomposição natural
Qualquer fenômeno biológico no nosso
planeta, envolvem duas atividades básicas e
em uma obrigatória relação de
interdependência: a síntese de compostos
orgânicos e a biodegradação desses
compostos.
Todos os seres vivos realizam uma atividade incessante,
como processo para sua autoconstrução
e obtenção de energia, a partir de elementos
do meio, entretanto essa capacidade de síntese
atinge níveis diferentes em diferentes grupos
de organismos. O maior grau de capacidade é
o encontrado entre seres chamados autótrofos,
que sintetizam moléculas altamente complexas
e com elevado teor de energia potencial disponível,
a partir de espécies químicas simples
e de baixa estrutura molecular, como o gás
carbônico - CO2, por exemplo, o que fazem absorvendo
energias físicas ou químicas dispersas
no meio, como a luz solar.
Outros seres, incapazes de utilizar tais fontes de
energia, apenas conseguem transformar compostos de
elevado conteúdo energético em outros
compostos semelhantes, não podendo omitir de
sua dieta alimentar, a presença de moléculas
de elevada estrutura molecular. Tais organismos são
denominados heterótrofos, e compreendem todos
os animais, além de fungos e parte das bactérias.
Dessa exigência, deriva uma necessidade primária
de dependência entre esses dois grandes grupos
de seres vivos, no sentido de que somente os primeiros
são capazes de produzir os compostos indispensáveis
à nutrição dos outros. A rigor,
essa dependência é recíproca.
Atividades biológicas caracterizam-se por transformações
de energia, de tal forma que a energia proveniente
da luz solar é transformada em energia química
e acumulada, pelos autótrofos fotossintetizantes,
na forma de moléculas complexas e, daí,
sucessivamente transferida a toda uma cadeia alimentar
de organismos heterótrofos.
A fonte de energia física - o Sol - pode ser
considerada como inesgotável, não necessitando
ser “reciclada”, porém o mesmo
não acontece com os elementos químicos
que entram na composição das moléculas
orgânicas, os quais, por existirem em quantidades
limitadas no nosso ambiente terrestre, devem ser -
forçosamente - restituídos ao meio,
para dar continuidade indefinidamente ao processo
biológico.
Não obstante, uma grande parte desses elementos
sejam continuamente devolvidos ao meio ambiente, uma
parte considerável é acumulada (constituindo
as próprias estruturas físicas dos organismos
vegetais e animais) e deverá forçosamente
ser devolvida ao meio ambiente, por ocasião
de sua morte. Esta restituição é
feita, normalmente, através do processo de
decomposição, o qual assume, dessa forma,
importância primordial em relação
aos ciclos vitais, impedindo o acúmulo progressivo
de elementos como o carbono e outros.
A decomposição é, ainda, um
processo biológico de nutrição
e respiração. A nutrição
- propriedade fundamental dos seres vivos - tem como
finalidade à obtenção de matéria
orgânica para estruturação de
organismos e a obtenção de energia molecular
para a realização das atividades biológicas
normais. A respiração é o processo
de oxidação através do qual são
liberadas as energias contidas nas moléculas
orgânicas, as quais, passam de um alto nível
energético, para um nível mais baixo
e são eliminadas no meio. A matéria
orgânica constituinte de um cadáver animal
ou vegetal, ou de qualquer resíduo orgânico,
independente do estado físico líquido
ou sólido, será prontamente consumida
como alimento por uma multidão de bactérias,
fungos e outros seres heterótrofos, que utilizam
pequena parte dela para sua autoconstrução
e reprodução e oxidam o restante, através
da respiração, para aproveitamento de
sua energia, restituindo elementos ao meio na forma
de subprodutos do seu metabolismo. Dessa forma, o
carbono, o nitrogênio, o fósforo e vários
outros elementos constituintes das moléculas
orgânicas que integravam o cadáver ou
o resíduo são devolvidos ao meio na
forma de compostos mais simples, tais como gás
carbônico, nitratos, fosfatos, que podem ser
novamente assimilados no processo autotrófico.
Há, pois, uma decomposição ou
biodegradação desses compostos orgânicos.
Estabilidade
Convencionou-se falar em processo de estabilização
dos resíduos, no sentido de que os compostos
orgânicos são instáveis quando
na presença de microorganismos que possam utilizá-los
como alimentos, o que corresponde à situação
natural mais freqüente. O grau de instabilidade
de um composto orgânico depende, essencialmente,
da existência da maior ou menor freqüência
de enzimas capazes de catalisar sua decomposição.
Substâncias orgânicas como celulose ou
cabelo são (nas condições normais)
muito mais estáveis que açúcar,
carne, etc., dada à reduzida freqüência
que ocorrem, entre os seres vivos, enzimas capazes
de digeri-los. Organismos possuidores dessas enzimas
podem ocorrer, entretanto, em grande número,
em ambientes especiais, que se tornam seletivos como,
por exemplo, o solo úmido e quente, favorável
à proliferação de fungos celulíticos
que decompõem a madeira.
Resumidamente, isso significa que, para qualquer
resíduo se decompor por atividade biológica,
é necessário que ele sirva de alimento
(matéria fornecedora de energia) a algum tipo
de organismo, ou seja, que algum tipo de organismo
possua as enzimas necessárias para sua decomposição.
Então se percebe, que nenhum tipo de organismo,
poderia estar equipado, enzimáticamente, para
decompor moléculas inexistentes na natureza
e que são sintetizadas industrialmente pelo
homem.
A nutrição e respiração
O fenômeno da decomposição é,
basicamente, um processo de nutrição
e respiração (ou oxidação
biológica). Reações de oxidação
podem ser realizadas em presença de oxigênio
molecular ou na sua ausência, uma vez que a
principal característica dessas reações
é a retirada de hidrogênio (ou de elétrons)
do composto e não necessariamente, a adição
de oxigênio. O hidrogênio retirado da
molécula é transferido a outro composto,
que é o oxidante. Por isso se diz que sempre
que uma substância se oxida à custa de
outra, a oxidação da primeira realiza-se,
necessariamente, com a redução da Segunda,
costumando-se denominar a reação de
oxirredução.
Quando o composto que funciona como aceptor de hidrogênio
é o oxigênio molecular, diz-se que a
respiração é aeróbia;
quando o oxigênio molecular não intervém
na respiração, sendo o aceptor um outro
composto qualquer, a reação passa a
ser denominada anaeróbia.
Em presença de oxigênio molecular, a
oxidação realizada é completa,
ou seja, a molécula orgânica é
totalmente desmembrada, cedendo toda sua energia potencial
disponível e formando, como produtos, apenas
água e gás carbônico. Nessas condições
o rendimento da reação, em termos energéticos,
é o máximo.
Com reações anaeróbias, entretanto,
não ocorre o mesmo. A oxidação
é apenas parcial, levando à formação
de produtos que ainda contêm energia potencial
disponível, tais como metano, álcoois
ou ácidos orgânicos. Tais processos podem
ser considerados de baixo rendimento, por essa razão,
eles somente são realizados em ausência
de oxigênio molecular. Os microorganismos capazes
de respirar anaerobiamente podem ser classificados,
em relação a essa propriedade, em facultativos
e anaeróbios obrigatórios, sendo que,
para esses últimos, a presença de oxigênio
é nociva ou tóxica. Entre os facultativos,
além de muitas bactérias, estão
incluídas as leveduras, as quais, em presença
de oxigênio, respiram aerobiamente, produzindo
gás carbônico como único produto
gasoso e, na ausência desse, respiram anaerobiamente,
formando álcoois ou ácidos orgânicos.
Fatores que limitam a velocidade
As exigências dos seres aeróbios quanto
à concentração de oxigênio
presentes no meio, variam muito e a quantidade de
oxigênio necessária à atividade
estabilizadora de um microorganismo aeróbio
é variável, ainda, para uma mesma espécie
de organismo, de acordo com as demais condições
ambientes. As condições ótimas
de eficiência, para as atividades biológicas
em geral, estão coerentes com o seguinte princípio:
“quando um processo é condicionado, quanto
à sua rapidez, por um certo número de
fatores separados, o rendimento do processo passa
a ser limitado pelo fator em mínimo”.
Entende-se pelo fator em mínimo aquele que
existe em quantidade mínima, relativamente
às necessidades do organismo em questão.
Suponhamos, somente como exemplo, que em um determinado
ambiente contendo água, matéria orgânica
e sais minerais solúveis, oxigênio molecular,
etc., desejemos manter uma flora bacteriana bastante
ativa, em termos de nutrição e reprodução.
Tratando-se de organismos aeróbios, sabemos
de antemão que, além da matéria
orgânica como alimento, é necessário
o oxigênio molecular e entre esses dois fatores,
será limitante aquele que, uma vez incrementado,
levar a um aumento da atividade bacteriana. Assim,
tentamos aumentar a quantidade de alimento orgânico
e obtemos um aumento proporcional de atividade; se
prosseguirmos a experiência, aumentando ainda
mais a quantidade de matéria orgânica
sem elevar a quantidade de oxigênio, notaremos
que acima de certo ponto, esse aumento já não
proporciona aumento correspondente da atividade bacteriana:
nesse ponto, a matéria orgânica deixou
de ser o fator limitante. Se, agora, pela simples
elevação do fornecimento de oxigênio,
verificamos que o aumento de atividade prossegue,
isso significa que o oxigênio passou a ser o
fator limitante.
O fator limitante para o crescimento de um determinado
tipo de organismo é sempre relativo. Se aumentarmos
o fornecimento de oxigênio e de alimentos, um
outro fator pode passar a ser o fator limitante como
fósforo ou o nitrogênio. Como as exigências
em termos nutricionais são diferentes, de um
para outro organismo, também o fator que é
limitante para uma espécie pode não
ser para outra. Assim, se reduzirmos excessivamente
o fornecimento de oxigênio molecular, bactérias
anaeróbias ocuparão o lugar das aeróbias;
se restringirmos muito o nitrogênio e o fósforo,
as bactérias darão o lugar a fungos,
que são menos exigentes quanto a esses elementos.
Dessa forma, todos esses elementos determinam uma
seleção de organismos no meio, de acordo
com suas exigências básicas. A atividade
atingirá seu ótimo, em termos de rendimento
ou de desenvolvimento da espécie mais desejável,
quando houver um perfeito equilíbrio entre
os elementos em relação às necessidades
da espécie em questão.
O tratamento aeróbio
Tratando-se de resíduos orgânicos biodegradáveis,
o principal fator limitante à sua estabilização
na água é o oxigênio, e o processo
para seu fornecimento é um dos fatores mais
importantes em qualquer processo de biodegradação.
Basicamente temos duas opções para esse
fornecimento: utilizar uma fonte física de
oxigênio (como o ar atmosférico) ou uma
fonte bioquímica (a fotossíntese por
algas).
O ar atmosférico pode ser utilizado de duas
maneiras principais: aumentando-se a superfície
líquida em relação ao seu volume,
de forma a se oferecer a maior área possível
de contato do líquido com o ar; ou promovendo-se
agitação na água (turbulência),
de modo a misturar continuamente sua película
superficial (saturada de oxigênio) com o restante
da massa líquida, ao mesmo tempo em que é
renovada a película superficial exposta ao
ar. Borbulhando-se ar no interior da massa líquida,
traz resultados idênticos à alternativa
anterior, com os inconvenientes de ordem prática.
A primeira dessas duas possibilidades básicas
é aplicada nos chamados “filtros biológicos”
- que é uma denominação imprópria
por não se tratar, realmente, de um sistema
de filtração física -, em que
o resíduo líquido é lançado
sobre um leito de cascalhos ou mesmo de areia, devendo
escorrer por sobre a superfície de inúmeras
camadas dessas pedras de alto a baixo do filtro. Dessa
forma, o volume de líquido a ser tratado fica
reduzido a uma imensa superfície que é
a soma das superfícies individuais de cada
um dos cascalhos e em contato direto com o ar intersticial,
que circula entre os cascalhos. Em conseqüência
da presença de abundante matéria orgânica
e oxigênio, desenvolve-se uma massa de microorganismos,
constituindo uma película de consistência
gelatinosa que reveste cada um dos cascalhos e que
promove a assimilação e oxidação
(respiração) dos compostos orgânicos
presentes na água residuária.
A outra possibilidade - turbulência ou o borbulhamento
de ar - é empregada em um segundo processo
de tratamento aeróbio, denominado “lodos
ativados”. Nestes, a massa de microorganismos,
ao invés de se achar fixa à superfície
de um suporte sólido, encontra-se em suspensão,
na forma de pequenos flocos gelatinosos que, uma vez
cessada a turbulência, precipitam-se na forma
de lodo. É conveniente salientar que esse lodo,
constituído de seres microscópicos ativos,
é um lodo de formação secundária
e não o lodo próprio do esgoto (que
é constituído de matérias sólidas
sedimentáveis) que se tornou ativado. Então,
talvez a designação mais correta deveria
ser “lodo biológico” ou simplesmente
“lodo ativo” em lugar de “lodo ativado”
- denominação já consagrada.
Fotossíntese nas lagoas de estabilização
Outra fonte de oxigênio molecular para o meio
aquático em geral e, em particular, para as
águas poluídas e os próprios
esgotos é constituída pela fotossíntese
realizada, sobretudo por algas microscópicas.
Essa fonte bioquímica de oxigênio molecular
(em lugar de fontes físicas) é utilizada
na prática, no processo de tratamento denominada
lagoas de estabilização ou, mais especificamente,
lagoas de fotossíntese, uma vez que a primeira
denominação vem sendo aplicada genericamente
a vários tipos de lagoas em que não
há participação significante
de fotossíntese, algumas delas mesmo anaeróbias
ou com sistemas de aeração mecânica.
O tratamento ou estabilização dos compostos
orgânicos, em uma lagoa, opera-se de maneira
análoga à dos demais processos aeróbios,
com participação predominante de bactérias
aeróbias. Apenas não se verifica, nesse
caso, a formação (pelo menos de forma
quantitativamente significativa) de flocos ou massas
gelatinosas, provavelmente em virtude de viverem aí
bactérias em equilíbrio mais estável
em relação às fontes de alimento
e de oxigênio. A principal função
das algas no sistema é a de fornecer oxigênio
molecular, indispensável à respiração
aeróbia e, além disso, absorver o excesso
de nitrogênio, fósforo e outros elementos
minerais resultantes da decomposição
orgânica. Não têm elas participações
ativas no processo de estabilização
propriamente dito, mas sim estabelecer um ciclo biológico
entre algas e bactérias aeróbias, deve
haver acesso de luz em quantidade suficiente para
permitir atividade produtora de oxigênio que
compense a demanda respiratória da bactéria
(DBO). Para tanto, o esgoto lançado deve sofrer
um processo prévio de decantações
ou clarificações e a profundidade não
pode ser muito grande. Havendo ventos, estes podem
provocar a circulação permanente ou
intermitente da água no interior da lagoa,
favorecendo o transporte de oxigênio molecular
que é produzido em excesso na superfície,
para regiões mais profundas.
Processo anaeróbio - digestão
Com o tratamento anaeróbio, procura-se obter,
em instalações especiais, a mesma seqüência
de fenômenos que se verifica nos depósitos
de lodo orgânico formados nos cursos de água
altamente poluídos. O processo é semelhante,
sob muitos aspectos, à digestão de alimentos
nos organismos animais (até no animal homem),
que, como já foi exposto, nada mais é
que um processo de degradação da matéria
orgânica com o fim de torná-la solúvel,
permitindo sua passagem através das paredes
do trato digestivo e incorporação ao
sangue e às células. As reações
que se verificam no interior desses órgãos
são também em grande parte anaeróbias,
e muitas das bactérias que nela tomam parte,
capazes de respiração intramolecular,
têm, também, papel importante em algumas
das fases do processo anaeróbio de depuração.
A solubilização de compostos orgânicos
por atividade enzimática recebe a denominação
de digestão.
No decorrer do processo reconhece-se uma fase na
qual dá-se a liquefação do material
tal como na digestão dos animais, transformando-os
por hidrólise os corpos em suspensão
de tamanhos relativamente grandes, sedimentáveis,
em substâncias solúveis ou, pelo menos,
em um estágio intermediário finamente
dividido. O processo é realizado por enzimas
produzidas pelas bactérias, que são
liberadas para o meio, solubilizando partículas
orgânicas para que possam ser ulteriormente
assimiladas pelas células bacterianas. Em seguida
observa-se a gaseificação desse material
solúvel, absorvido pelas células, através
de uma ação enzimática no interior
das próprias bactérias (liberando principalmente
gás carbônico, metano e gás sulfídrico).
Mais sobre lagoas de estabilização
Os princípios de funcionamento das lagoas
já foram descritos anteriormente, podemos considerá-los
como uma extrapolação do processo de
lodos ativados com aeração prolongada,
em que os equipamentos de aeração são
substituídos pela ação fotossintética
das algas. São tanques de terra construídos
de acordo com certas regras que favorecem sua eficiência,
facilitando também sua operação
e a manutenção. O afluente é
introduzido longe das margens, para facilitar sua
diluição no meio aquoso, e a entrada
se dá normalmente por um tubo colocado sobre
o fundo. Raramente as lagoas de estabilização
são pavimentadas.
A principal desvantagem dessas lagoas reside na enorme
área requerida para sua instalação,
que é cerca de dez vezes maior do que a do
valo de oxidação de capacidade equivalente,
e trinta a cinqüenta vezes maior que a de instalações
compactas de lodos ativados. Entretanto, onde houver
áreas planas disponíveis, constitui-se
no tratamento mais adequado para a maioria dos despejos
biodegradáveis, pela sua simplicidade de construção
e manutenção.
Devido ao tempo prolongado de detenção
- geralmente entre dez e sessenta dias - não
há, praticamente, necessidade de operação.
A manutenção é fácil:
conservar o talude interno livre de vegetação,
manter a limpeza, consertar as avarias causadas pela
erosão originadas pelas chuvas, observar o
aparecimento de caramujos transmissores da esquistossomose,
detectar alterações da cor verde da
superfície, aparecimento de mau cheiro, etc.
O tratamento anaeróbio de águas
residuais
È um processo de baixo rendimento, que pode
ser empregado eficientemente como primeiro estágio
de um tratamento realizado em duas etapas, na primeira
das quais reside a intenção de se eliminar,
sob forma de gasosa, dissipável na atmosfera,
a maior massa possível de carbono. E, efetivamente,
a matéria carbonácea biodegradável
é transformada em grande parte em gás
carbônico e metano, sem necessidade de introdução,
na massa do resíduo, de qualquer quantidade
de energia externa. Com isso, a matéria orgânica,
responsável pela DBO, é expulsa em grande
parte do seio da massa líquida, deixando para
o segundo estágio - aeróbio -, uma tarefa
reduzida em maior ou menor grau. Porém, um
dos maiores inconvenientes é a formação
de gás sulfídrico, que além de
cheiro repugnante, apresenta uma considerável
demanda imediata de DBO. O tratamento anaeróbio
pode eliminar, em condições favoráveis,
mais de 80% da matéria biodegradável;
porém o tratamento anaeróbio de esgotos
urbanos já foi abandonado há tempos
em praticamente todos os países do mundo. Não
obstante, encontra ainda ampla aplicação
em pequenas instalações residenciais
ou em pequenos aglomerados urbanos e rurais, sob forma
de “fossas sépticas” ou “tanques
sépticos”. Estes também são
empregados com eficiência, isolados ou associados
a um tratamento final aeróbio, em numerosos
despejos industriais.
Em pequenas empresas, os sistemas de tanque sépticos
podem ser levados em consideração, com
ou sem tratamento suplementar, para o acondicionamento
de efluentes antes do lançamento em coletores
públicos, quando os regulamentos exijam eliminação
de gorduras ou limitam a quantidade de sólidos
em suspensão, por exemplo.
Embora, em geral, as normas excluam os tanques sépticos
da aplicação às indústrias,
é viável utilizá-los vantajosamente
em alguns casos, como segue:
Lavanderias - despejos contendo sabões, gorduras
e detergentes; óleos e graxas em geral;
Matadouros - tanque com duas a três semanas
de detenção, para possibilitar a degradação
do sangue, gorduras e estrume; o efluente tem cor
castanha e cheiro desagradável, que, desaparece
em tanque com quatro semanas de detenção;
Lacticínios - empregado como nos matadouros;
entretanto, devido ao baixo pH, os tanques devem ser
revestidos com produtos que resistam à corrosão
por acidez. Os efluentes devem ser infiltrados, pois
cheiram mal e atraem moscas;
Destilarias - quando o teor de sólidos em
suspensão for superior a 1%;
Papelão de palha - idem ao anterior.
Lagoas anaeróbias de estabilização
A rigor, as lagoas anaeróbias podem ser consideradas
como tanques sépticos construídos em
taludes de terra, com abertura constituída
pelos sólidos flutuantes, que cumprem a finalidade
de isolar a fase líquida do ar atmosférico,
mas permitindo a difusão de gases na atmosfera
(principalmente gás carbônico e metano).
Com alguma freqüência encontram-se entre
os processos de tratamento de águas residuárias
domésticas e lagoas de estabilização
do tipo anaeróbio, às vezes isoladas,
às vezes seguidas de lagoas facultativas. As
lagoas anaeróbias, seguidas ou não de
outras, ocupam uma área menor do que as estritamente
aeróbias ou as facultativas isoladas.
Esse motivo faz com que sejam empregadas em número
cada vez maior as lagoas anaeróbias, embora
padeçam de certos inconvenientes que outros
tipos de lagoas não têm, especialmente
no que diz respeito às condições
estéticas e ao padrão de efluentes.
Normalmente uma lagoa anaeróbia convenientemente
projetada que já passou pela fase de “maturação”
(processo de adaptação à produção
biológica de grande quantidade de metano) pode
ser considerada permanentemente inodora. Quando uma
lagoa anaeróbia apresenta problemas de maus
odores, é sinal de que houve perturbação
na “fermentação metânica”,
podendo haver necessidade de intervenção
no seu funcionamento, a fim de facilitar o restabelecimento
da fermentação alcalina. A ação
das lagoas anaeróbias não deve ser levada
em conta de simples tratamento primário, devido
à importância poderosa da estabilização
biológica que nelas se realiza.
Geralmente são empregadas como primeiro estágio
de uma associação anaeróbio-aeróbia
ou anaeróbio-facultativa. Podem ser empregadas
para a depuração de esgotos domésticos
ou de resíduos industriais. Todas as aplicações
de tanques sépticos podem ser atribuídas
às lagoas anaeróbias de estabilização
e, muitas vezes, com vantagem (remoção
mais espaçada de lodo).
Tratamento biológico de resíduos
sólidos
O lixo é constituído em elevada porcentagem
de compostos orgânicos de origem natural, então
é, conseqüentemente, susceptível
de decomposição biológica. Os
principais microorganismos que participam desse processo
de decomposição são bactérias
e fungos saprófitas, isto é, seres que
se alimentam de animais e vegetais mortos ou de restos
orgânicos em geral. A porcentagem de compostos
orgânicos passíveis de decomposição
biológica (matéria fermentável)
no lixo varia muito, de acordo com os costumes de
cada população. Normalmente a média
de proporção mundial é da ordem
de 30 a 60% do resíduo seco, nas principais
cidades brasileiras, a proporção de
matéria fermentável varia de 70 a 88%
(excluindo papéis), isto é, está
muito acima da média, o que significa que os
desperdícios em matéria energética
são muito grandes e, por outro lado, sua redução
por fermentação, poderá ser proporcionalmente
maior que no lixo comum.
Como no lixo, ao contrário dos esgotos, a
porcentagem de matéria sólida insolúvel
é muito grande, é necessário
que o processo de oxidação seja precedido
de digestão, ou seja, solubilização
da mesma. A digestão seja em ambiente aeróbio
ou anaeróbio, é realizada por enzimas
que são liberadas no meio para produzir a digestão
externamente aos microorganismos, uma vez que esses
seres não possuem “boca” e somente
são capazes de absorver alimento em forma líquida.
Nos aterros sanitários, os dois processos
biológicos - aeróbio e anaeróbio
- ocorrem sucessivamente. Sendo muito grande a quantidade
de matéria sólida, por mais bem compactado
que seja o lixo, há sempre uma certa quantidade
de ar nos espaços intersticiais capazes de
manter uma atividade respiratória aeróbia
durante certo tempo. Há certas vantagens no
tratamento combinado de lodos de esgotos e lixo, sob
forma de adição do lodo aos digestores
de lixo ou vice-versa. Essas vantagens, do ponto de
vista biológico, são decorrentes da
introdução de maior grau de umidade
e, no caso de lodos já digeridos, da introdução
de um substancial inoculo de bactérias, de
modo a acelerar sensivelmente o processo.
Os processos anaeróbios de tratamento requerem
mais tempo, além de ambientes hermeticamente
fechados, de modo a impedir a penetração
do ar. Especialmente em climas frios, pode ser necessário
o fornecimento de calor, para a ativação
do metabolismo das bactérias e apressar o processo
de digestão. Além do fato que poderemos
sempre utilizar como combustível o metano produzido
pelo meio. O composto resultante deverá ser
previamente esterilizado se for pretendida sua utilização
como adubo de hortaliças.
A transformação do lixo biodegradável
industrial em “composto” é antes
uma exceção do que uma regra. Mesmo
no âmbito municipal, o aproveitamento do lixo
urbano é uma raridade. O processo anaeróbio
de estabilização do lixo está
sendo empregado cada vez menos, em virtude de vários
inconvenientes, como o da atração de
moscas e roedores, do “chorume”, que é
um líquido formado durante a fermentação
dos sólidos, e responsável por grandes
perdas de nitrogênio sob forma de compostos
solúveis. Além disso, a decomposição
anaeróbia do lixo gera odores semelhantes aos
de chiqueiros de porcos.
Modernamente só se empregam os diversos processos
aeróbios, que podem ser efetuados em leiras
ao ar livre, ou em ambientes fechados com insuflação
de ar; ou combinam-se duas etapas: (1) fermentação
aeróbia inicial em câmaras fechadas e
(2) término da fermentação em
leiras a céu aberto - com isso, elimina-se
a procriação de moscas. Para melhorar
a aeração e tornar o produto mais homogêneo,
deve a leira ser revirada pelo menos uma vez durante
o processo, e quanto maior o número de vezes
que a leira for revirada, mais rápida será
a estabilização.
Acelerando o Processo
Para otimizar os sistemas, algumas empresas têm
desenvolvido tecnologia capaz de agilizar o processo
de tratamento de efluentes melhorando sua eficiência.
Desenvolveram produtos floculantes e coagulantes que
influem no bom resultado obtido pelas estações
de tratamento. São três os aspectos que
determinam as características de um corpo de
água poluído: Turbidez (impedindo a
passagem dos raios solares, prejudicando os processos
fotossintéticos), oxidação (o
material orgânico despejado retira todo o oxigênio
da água) e toxidade.
A função dos aditivos floculantes e
coagulantes é clarificar a água, ou
seja, separar o material sólido do líquido,
gerando a compactação do lodo ativado
para que possa ser retirado do tanque e dependendo
de sua composição, ser preparado para
ser utilizado como adubo.
Um outro processo que visa acelerar e melhorar a
eficiência dos sistemas de tratamento de efluentes
é a bioaumentação ou biorremediação,
ainda muito pouco conhecida.
A Enzilimp seleciona um pool de bactérias (são
tipos de bactérias específicas para
a degradação dos diferentes resíduos
orgânicos. Isto porque cada espécie microbiana
produz determinadas enzimas para degradar diferentes
substancias. Enzimas diferentes são requeridas
para decompor as gorduras, proteínas e amidos.)
não patogênicas e não aceleradas
geneticamente, com a finalidade de uma vez inoculada
acelerarem a digestão dos diversos tipos de
resíduos encontrados num sistema de tratamento,
seja ele aeróbio ou anaeróbio
Esses microorganismos complementam e aumentam a flora
bacteriana já existente, isto é, produzem
uma bioaumentação otimizando o sistema.
A utilização do Enzilimp não
como um simples coadjuvante no tratamento de efluentes,
mas sim como o responsável por esse tratamento,
principalmente quando se refere ao sistema aeróbio:
em virtude do baixo custo, a bioaumentação,
dia após dia, tem desbancado os processos de
tratamento que necessitam fontes energéticas
para seu funcionamento.
Uma outra definição aponta para o uso
de bactérias selecionadas tanto como aditivos
bioquímicos, quanto como sistema de tratamento.
No caso da bioaumentação em estações
de tratamento as bactérias selecionadas na
luta pelo oxigênio e alimento para sobreviver
tomarão todo o território não
dando espaço para outras bactérias sobreviverem
reduzindo dessa forma drasticamente outras colônias
de principalmente das patogênicas, já
verificamos casos por exemplo do desaparecimento completo
das coliformes fecais do sistema.
Aplicação do Enzilimp
Para se obter uma boa eficiência do produto
deve-se observar os seguintes aspectos:
· O pH do sistema deve estar entre 6 e 8, pois
estes microorganismos vivem nessa faixa de pH.
· Acompanhar o DBO de entrada e saída
do sistema, pois verifica a eficiência de remoção
ou transformação da matéria orgânica
do processo
· Acompanhar a temperatura de entrada e saída
do sistema, pois em sistemas onde a temperatura é
abaixo de 15 graus Celsius a atividade microbiana
é mais lenta e pode até paralisar.
· Verificar o tempo de retenção
do sistema. Isto é muito importante, pois plantas
de tratamento com tempo superior a 20 dias são
as de custo/benefício melhores, isto é,
necessitam de quantidade menor de bactérias.
Devido á grande complexidade e das muitas
variáveis que interagem nas lagoas, não
existe uma fórmula matemática fácil
de se aplicar para se determinar a quantidade necessária
para se obter um bom resultado. Portanto se faz necessário
partir de experimentos, ou seja, tentativas de acertar.
Calcula-se o volume da lagoa mais a quantidade que
entra semanalmente no sistema, uma vez determinado
o volume em m3 multiplique por 0,01, assim teremos
a quantidade em quilos a ser aplicada na primeira
vez do Enzilimp.
Coloca-se o produto em um tambor com água
limpa e aproximadamente 30% de água da lagoa
deixando em repouso por aproximadamente uma hora.
Despejar essa mistura na entrada do sistema e espalha-lo
pela lagoa, inclusive nos pontos mortos da mesma.
Nas semanas seguintes a dosagem se calcula apenas
pelo volume de entrada em m3 por 0,005, assim teremos
as quantidades em quilos a serem aplicadas por semana
do Enzilimp.
Pela análise do comportamento da DBO saberemos
da eficiência que a aplicação
está tendo e é o que vai determinar
se devemos aumentar ou diminuir a dosagem do Enzilimp.
Observações a serem feitas
na lagoa;
Após uma semana da aplicação
se notará que a água da lagoa terá
um aumento de bolhas que são resultados da
liberação de CO2 pelos microorganismos
e inicialmente também poderá aumentar
a quantidade de sobrenadantes, o mesmo acontecerá
com a DBO e DQO.
Após a 3ª semana os sobrenadantes, a
DBO e DQO tem um decréscimo substancial assim
como a contagem de coliformes fecais e totais, bem
como a amônia e gases sulfídricos, maiores
fontes de odores desagradáveis, serão
reduzidos a medida que a atividade microbiana aumenta.
Turbidez: antes do tratamento a água é
turva e a coloração vai do preto ao
verde, com o tratamento a água apresenta uma
coloração marrom clara e sem turbidez.
O uso regular do Enzilimp produz os seguintes
benefícios:
· Melhora os níveis de DBO e outros
parâmetros do efluente final.
· Reduz o volume de lodo.
· Reduz os sobrenadantes.
· Reduz ou elimina os maus odores.
· Incrementa eficiência de processo nos
sistemas de tratamento.
· Reduz ou elimina as extrações
mecânicas e manuais.
· Restaura o fluxo das áreas de drenagem
e filtração.
· Reduz as bactérias patogênicas.
· Reduz ou elimina a contaminação
do solo e corpos d'água.
· Reduz custos de manutenção
e ampliações.
Nos matadouros, onde também há poços
de descarte de carcaças, deve-se usar o Enzilimp
na proporção de 8 gramos por m3 (por
quinzena) para acelerar a decomposição
aumentando dessa maneira a vida útil deste
poço e Também reduzindo a contaminação
de lençol freático.
OBS: As dosagens aqui indicadas são apenas
de orientação, podendo ser alteradas
conforme necessidades específicas.
- Em caso de usar-se uma dosagem maior do que a recomendada,
a conseqüência provável será
somente a aceleração dos resultados,
sem causar danos ao sistema, visto que haverá
uma quantidade maior de bactérias para degradar
os dejetos.
- Nos casos de dosagens menores do que a recomendada
teremos também os resultados esperados, somente
o tempo de resposta será menor do que o previsto.